O inferno não existe, mas todos sabem que ele está cheio de estupradores, políticos corruptos e adeptos das dinâmicas de grupo. Se a presença no churrasco com cheirinho de carne queimada é consenso no caso dos dois primeiros grupos, os fãs das dinâmicas costumam ficar de fora das mais tradicionais listas de convidados do capeta: prova de que muita gente não conhece os métodos modernos de tortura.
Sim, tortura. De todas as etapas dos processos seletivos, nenhuma deve ser tão temida como aquela em que o avaliador distribui papel, caneta e diz “agora vamos fazer uma coisa divertida para nos conhecermos melhor”. Bobagem. O que ele queria dizer é algo do tipo “quando eu contar até três todos devem esconder seus defeitos, mentir e fingir ser o que não são. Quem tiver talento para retórica ou malabares saí na frente! Valendo!”
Não é sem motivo que os tímidos e não mentirosos do pedaço são eliminados. Isso sem falar quando o avaliador dá o azar de ter, entre os seus candidatos, uma pessoa que sofra do terrível mal da sinceridade. Neste caso os resultados variam desde o “dinâmicas de grupo são estúpidas e não vou participar disso, tchau”, ao cara que, babando, arremessa uma cadeira no avaliador e diz que nenhum ser humano normal consegue se definir em uma palavra. E avaliador, cuidado: ao sair da sala o sincero ainda pode mandar você enfiar cada uma daquelas bolinhas de papel que representam a diferença entre a alegria e a felicidade onde for mais conveniente para você.
Há quem acredite que o inferno é uma espécie de repartição pública em que cada alma detenta cumpre uma pena baseada na lei “olho por olho, dente por dente, fiofó por fiofó. Ou seja, no primeiro andar você encontra milhões de estupradores e condenados por crimes sexuais. Na porta, os carrascos, centauros com 3 metros (de altura) e (aparentemente) cinco patas recebem os novos moradores. Fãs do Kubrick, eles adoram realizar seu trabalho cantarolando baixinho uma versão infernal de Singin in the Rain.
Os políticos corruptos descem no andar 171, enquanto os honestos ficam no 170. A punição desses setores é controversa: boatos dizem que é uma fila do SUS, mas fontes confiáveis garantem que as almas são forçadas a assistir eternamente as discussões de seus antigos colegas, na TV Senado.
Mas nada se compara ao temerário setor das dinâmicas de grupo. Nada.
-Olá! Vamos passar os próximos dois milhões de anos fazendo um joguinho divertido para nos conhecermos melhor. Quero que cada um de vocês escolha um papel colorido da caixinha ali do fundo e escreva uma palavra que signifique algo pra você. Depois, escolha uma que você acha que descreva o seu colega ao lado. No fim, quero que vocês amassem o papel e formem um círculo aqui no meio. Todos irão fechar os olhos e dizer uma palavra, apenas uma, que vocês acham que te definem. Valendo!
A única notícia boa é que as vítimas vão conseguir a tal definição em uma palavra: morto.
Oi, Rafael. Li agora há pouco uma resenha de um livro que o Ivan Lessa trouxe sobre a psicopatia. Segundo ela, o autor pesquisou, pesquisou e descobriu que os psicopatas comandam o mundo (numa redução aqui ainda maior da brilhante resenha). Acho que esse pessoal das seleções e dinâmicas fazem parte da equipe de assessores dos psicopatas-mor. rsrs. Abração. Paz e bem.
ResponderExcluirRachei.
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