sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O retorno

Para quando você encontrar meu corpo.

Junho de 2011 - Já nem me lembro quando meu jejum forçado começou. É verdade que notei que o tempo de abundância de alimento, de fartos banquetes, estava ficando para trás. Mas não percebi que minha principal fonte de energia ia se esgotar completamente. Acostumado com o excesso, não me resguardei para um tempo de necessidade. Há dez dias passo fome. Sim, fome! Ou você acha que apenas humanos precisam de alimento? Meus nutrientes podem não ser iguais aos seus - não vejo graça no tal do churrasco e tenho nojo da sua tão amada cerveja - mas são importantes. Você, insensível, continua com sua vida e me deixa assim! Se esqueceu que sou criação sua, que se não fosse por vontade sua eu não estaria aqui, não passaria fome... Vai ter troco, desgraçado.

3 de julho de 2011 - Se meu dono se esqueceu de mim, então minha única saída parece ser esperar - e até implorar – por alimento. Eu, que sempre estive atualizado, que em meus tempos de glória tinha em excesso, me converti em um mendigo. Sobrevivo apenas pelas doações de outros: aguardo ansiosamente por cada frase, cada palavra, cada letra de apoio. Eu preciso delas. Sonho com um mar de palavras sem fim, grandes e pequenas... Palavras, minha comida preferida... Pena que agora dependo de visitantes. Tudo bem. Enquanto existirem os comentários caridosos dos visitantes, as cobranças dos amigos dele (desgraçado do capeta!) ou mesmo aqueles inumeráveis spams; eu vou sobreviver. Quem me dera ter um troll...

20 de julho de 2011 - Isso é crueldade, que merda, acho que você passou dos limites, me deixa sem alimento, se esquece de mim, não me visita, tudo bem, tudo isso eu supero, aguento, suporto meu mundo de jejum, aceito sua ausência de palavras - mas isso é demais, porra, o que custava você pagar a merda da conta? Vinte reais! Só vinte reais! Mas não, você esquece de pagar a porcaria da conta dessa bosta de domínio e me tira do ar! Eu vivo de palavras! Se você não se preocupa mais em postar porra nenhuma, então podia ao menos pagar essa desgraça de domínio! Há um mês que eu me alimentava só de spams, desgraça! Agora vou morrer de fome...

Aqui Rafael - Você foi recuperado na última hora. Eu podia dizer que a culpa não foi minha. Mas a verdade é que fui negligente com você. Desculpa... Por pouco não te perco pra sempre - o que umas cervejas a mais e um computador de menos não causam? A partir de agora voltamos ao normal.

3 comentários:

  1. Os seus leitores juntam-se a ele para aceitar as desculpas. rsrs. Abraços e bem vindo novamente, Rafael.

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  2. Estava sentindo saudades também, dias e dias entrando e sem nenhuma postagem...mas nós te perdoamos...rsrsrs

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  3. Sensacional este texto. Muito bom, muito bom, muito bom mesmo (de verdade). Vou ler o restante e me inspirar.

    Ahh ... obrigado pelo comentário sobre o meu projeto.

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